26 de fevereiro de 2015

Comparando o programa do Syriza com o acordo alcançado com a Troika

Este é o programa económico do Syriza para 2015 e hoje comparamos com o acordo alcançado na Terça-Feira com a Troika.

• Declarar a restruturação da maior parte do valor nominal da dívida pública para um valor sustentável.

Nein. O governo grego concorda em pagar todas as dívidas, manter o saldo primário positivo, respeitar o que foi acordado no memorando de entendimento anterior e não tomar medidas que possam comprometer o pagamento da dívida.

• Incluir uma clausula de crescimento no pagamento da dívida para que esta possa ser financiada em função do crescimento do PIB e não dos orçamentos.

Nein.
• Incluir um período de carência (moratória) no pagamento da dívida para salvaguardar fundos para o crescimento através de despesa pública.

Nein.

• Excluir o investimento público do Pacto de Estabilidade.
Nein.
• Criar uma espécie de New Deal europeu para investimento público financiado pelo European Investment Bank
Nein. 
• Flexibilização Quantitativa (QE) pelo BCE com a compra direta de títulos soberanos.

Nein. O actual programa de QE não financia directamente os Estados, a compra de dívida soberana é feita no mercado secundário. A Grécia é o único país da zona Euro que foi excluído do programa.
• Resolver o problema do empréstimo forçado do Banco Central da Grécia aquando da ocupação nazi.
Nein. "Com base nesse plano, vamos lutar e encontrar uma solução viável para a dívida grega para que o nosso país seja capaz de pagar a dívida que resta, criar riqueza e que não tenha apenas saldos primários, que privam a sociedade desse dinheiro.

• Aumentar o investimento público imediato em pelo menos 4 mil milhões de euros.
Nein.
• Acabar com as injustiças do Memorando de Entendimento com a Troika e da austeridade.
Nein.
• Repor salários e pensões para aumentar o consumo e a procura interna.
Parcial. Foi acordado um aumento do salário mínimo a longo prazo desde que não afecte a competitividade.
• Dar incentivo às PME para a criação emprego, subsídios para a energia industrial para quem cria emprego e preserva o meio ambiente.
Nein.
• Investir em conhecimento, pesquisa e novas tecnologias para que os nossos jovens cientistas que emigraram massivamente nos últimos anos possam voltar para casa.
Não abrangido directamente pelo acordo, talvez seja um sim.
• Reconstrução do Estado do Bem Estar, reformar a lei e criar um Estado meritocrático.
O acordo prevê nalguns aspectos a restauração do Estado de bem-estar, tais como cuidados de saúde universal.Vamos substituir o Memorando de Entendimento para o Plano de Reconstrução Nacional desde os primeiros dias do nosso governo, antes e durante as negociações.
• Substituição do Memorando de Entendimento por um Plano Nacional de Crescimento logo nos primeiros dias do nosso governo.
Nein


O Plano Nacional de Crescimento tem quatro pilares:


1. Resolvendo a crise humanitária:
(Custo estimado: 1882 milhões de euros)


  • Electricidade gratuita para 300 mil famílias em situação de pobreza. (Custo: 59,4 milhões).
  • Programa de subsídio para a alimentação para 300 mil famílias em situação de pobreza (Custo: 756 milhões).
  • Programa de subsidio de habitação (3€ por m2) para apartamentos entre 30 e 70m2. (Custo: 54 milhões).
  • Gastos médicos e farmacêuticos gratuitos para os desempregados (Custo: 350 milhões).
  • Transportes públicos gratuitos para os mais desfavorecidos socialmente (Custo 120 milhões)
  • Eliminar as taxas incluídas no aquecimento a diesel 
  • Restituição do subsidio de Natal e criação de um 13º mês nas pensões (Custo 543,6 milhões)

Não cobertos explicitamente. O acordo contempla genericamente algumas medidas para atenuar o drama social na Grécia, mas não detalha as medidas nem tampouco a sua aplicação. A Grécia precisa de conseguir superávit em primeiro lugar.

2. O crescimento económico e da justiça fiscal

Custo estimado (3,5 mil milhões).

• O segundo pilar é baseado numa série de medidas para reanimar a economia de forma a aliviar a carga fiscal na economia real e fornecer liquidez e revitalizar a procura interna.
Nein. No sentido de que as medidas previstas no acordo parecem aumentar a carga fiscal e não reduzi-la. (Aumento do IVA reduzido)
• A liquidação das obrigações financeiras dos fundos públicos e da segurança social em 84 parcelas.
Sim
• Abolição imediata do imposto corrente de propriedade unificada (IMI) e introdução de um novo imposto sobre grandes propriedades. (Custo estimado 2 mil milhões de euros). Exceptuando as residências de luxo, não se aplica à primeira habitação.
Nein. Além disso, o Syriza pretende aumentar impostos indirectos tais como o aumento do IVA em determinados produtos.
• Recuperação do imposto de renda anual para salários superiores a 12.000€ anuais. Aumento do número de escalões de imposto para garantir uma tributação progressiva estimado.
Parcial. Parece que o acordo prevê alguma progressividade tributária sobre os rendimentos mais altos. Não diz nada sobre restaurar o limite do imposto de rendas.

• Alívio de dívidas pessoais e reestruturação da dívida para os indivíduos e as empresas que procuram saldar dívidas e para pessoas em situação de pobreza.
Sim, embora estejam condicionados pela solvência dos bancos. 
• Criação de uma organização pública que faça a mediação na gestão da dívida privada, agindo para gerir qualquer pagamento devido à banca e como uma entidade que controla acordos de renegociação de conformidade alcançado entre os bancos e credores.
Nein.
• Extensão ad infinitum na suspensão dos despejos em casas (1ª residência) de valor inferior a € 300.000.
Parcial. Pelo menos não sera ad infinitum.

• Proibição de venda de empréstimos por instituições não financeiras.
Nein. 
• Criação de um banco público com capital inicial de 1000 milhões.
Nein. 
• Aumento do salário mínimo para 756€ por mês 
Parcial. Foi acordado um aumento do salário mínimo a longo prazo desde que não afecte a competitividade.

3. Plano para a criação de emprego (Custo: 3 mil milhões de euros)

• Restituição de uma estrutura pública para proteger os direitos dos trabalhadores destruídos pelo Memorando de Entendimento.
Nein.
• Restauração do poder de negociação colectiva dos sindicatos.
Parcial.
• Abolir os regulamentos que permitem demissões colectivas.
Nein.
• Criação de um programa que permita a criação de 300 mil novos postos de trabalho com um custo estimado de 3000 milhões de euros.
Nein.
4. Transformar o sistema político para promover a democracia

• Organização de estados regionais. Reforçar a transparência e autonomia económica dos municípios e regiões.
Sim.
• Aumentar a participação democrática dos cidadãos criando iniciativas legislativas dos cidadãos, dando-lhes capacidade de convocar referendos ou a capacidade de vetar certas leis.
Nein. 
• Programa anti-corrupção, acabar com a imunidade parlamentar.
Sim, estão previstas várias medidas para combater a corrupção. 
 • Regular os meios de comunicação. Criação de TV e Rádio Públicas.
Parcial. A primeira parte sim, a criação dos meios de comunicação públicos não está contemplado
• Combate efectivo à evasão fiscal e contrabando
Sim.
• Para financiar o esforço de restaurar o valor das pensões, em vez de privatização de empresas públicas, aquelas que são rentáveis serão transferidos para os fundos de segurança social para ajudar a sua financiação.
Nein. Privatizações são para continuar e novas privatizações serão estudadas. Em qualquer caso, o dinheiro não vai empresas públicas para pagar o aumento das pensões. 

Fonte

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